sábado, 19 de fevereiro de 2011

bebedeira

Eu nem vi quando fui atacado
estava exausto
senti cada gota de álcool que havia bebido
me arrependi
como sempre.

sábado, 4 de setembro de 2010

Lembranças

O Ibraim viajou e fiquei sem assunto. Mas dia desses lembrei-me de uma discussão que tivemos sobre as lembranças que vamos acumulando. Eu dizia que aquilo que realmente importa e que formará nosso conjunto de histórias memoráveis é o que fazemos, os sonhos que buscamos, as loucuras que cometemos, não aquilo que deixamos de fazer. Não é voltando para casa porque o cansaço nos pegou que teremos história para contar. Não é deixando para o outro dia, não é escondendo o que pensamos.
O Ibraim era do contra e sempre tinha alguma tese sobre tudo, principalmente sobre as minhas opiniões. Ele disse: e se aquele for o sonho errado? E se aquela escolha te levar para um beco sem saída? E se aquele gole a mais acabar com tudo?
Risco, eu respondi. Não há possibilidade de viver sem risco. Um mundo esterilizado e imune ao fracasso, a derrota e a perda é impossível. O Ibraim tomou outro gole de cerveja, olhou para o lado, e enigmático respondeu: “tu pode estar certo, mas pode estar errado”.

domingo, 16 de maio de 2010

versículos

observei até ser observado
fingi até ser flagrado
contei até dez
não adiantou
desisti

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ibraim e o Circo de Soleil

Isso está virando o blog do Ibraim, mas ele monopoliza minha atenção.
Dia desses perguntei para ele sobre o Circo de Soleil. Ele me olhou com a sobrancelha franzida. Eu já sabia, ele não queria falar sobre aqui, mas insisti para ver sua reação.
- E ai, não vai ver o Circo de Soleil?
- Vai tomar do cú.
- Opa, qué isso, só te fiz uma pergunta! Não gosta?
- Não quero falar dessa merda! Para com isso!
- Mas cara, tu gosta de artes em geral, pô, é expressão corporal!
- Expressão corporal o caralho! É um merda aquilo.
- Por quê? Insisti morrendo de rir por dentro do exagero.
- Cara, para com esse papo! Esse troço é um saco, chato, pequeno-burguês, pseudo intelectual. Para, não vou falar disso.
- Tu já viu? Era minha última tentativa.
Lançou-me um olhar enfurecido. Realmente ele não simpatizava com o Circo de Soleil. Ainda não entendi bem o porquê.

ser diferente

Esses dias o Ibraim me mandou esse texto. Não lembrava como havia chegado nele, nem por onde havia começado para encontrá-lo.

"A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos."
Agostinho da Silva, Diário de Alcestes

Li esse texto acima algumas vezes e percebi uma coisa curiosa: o que me aproxima dos meus amigos é justamente isso, ser diferente. Pensei um pouco sobre cada um – tá certo, sobre alguns, sem escolhas, ou preferidos, aleatoriamente – e vi que de alguma forma o texto se aplica, em parte, a cada um. À sua maneira, praticamente todos os meus amigos seguiram um caminho alternativo, não abaixaram a cabeça, não cederam ao senso comum, escolheram seu modo de vida; tentam ser espíritos livres, ainda que na prática, muitas vezes isso só os leve a um novo tipo de aprisionamento.
Entendemos (vou me incluir nessa) que no final das contas só temos uma alternativa, ser quem somos. É o que o Ibraim sempre diz.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Causos do Ibraim - Lua Cheia

Noites de lua cheia mexiam verdadeiramente com o Ibraim. Normalmente me ligava, convidando-me para ir a rua. Poderia ser algo sugestionado que ele havia assimilado e criado um mito. Pode ser, mas eu percebia que a luz da lua o instigava - tinha ímpetos diferentes.

De certa forma concordo: observe aquela luz tênue e reveladora de uma lua brilhante: vemos tudo, mas tudo parece invisível, sóbrio e sombrio, distante. É uma luz elegante, que esconde rugas, mentiras sutis e imperfeições secretas - mas revela tudo que importa.

O luar é uma luz gentil que nos acaricia a pele, que ao invés de nos agredir - coisas do sol - nos afaga e nos consola, além de dar a esperança de um dia seguinte glorioso.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Três discos legais que ouvi nos últimos tempos – Parte 3 (Wolfmother)

Ah, não esqueci do Wolfmother.

Cosmic Egg não parece um bom nome, mas a bela capa compensa; 0x0.
Na primeira música do disco, California Queen, cheguei a pensar que tinha baixado uma versão “bichada” do disco. Mas quando surgiram os agudos a lá Geddy Lee e a primeira virada Black Sabbath percebi que não, era o disco certo.
A banda mudou, só sobrou o vocalista Andrew Stockdale. Não sei se por isso, mas do primeiro e único disco, houve uma baita mudança – não arrisco chamar evolução, pois não sei se é. Exemplos? White Feather e Far Away. No primeiro disco eu identificava uma influência muito forte do Jack White (White Stripes) tanto na composição quanto na abordagem vocal. Isso não é mais tão evidente. No geral o disco parece principalmente inspirado, e depois, trabalhado/produzido, nessa ordem. Não acho que exista essa escala, mas se existisse, seria assim.

Ainda dá para destacar Sundial, 10.000 Feet (é, Sabbath na cabeça), Cosmonaut (talvez um pouco da identidade Wolfmother), Pilgrim, Back Round (baita riff e vocal em contraponto). O disco fecha com Violence of the Sun, uma baita música, em todos sentidos, pois tem 6min é a maior do disco. Gostei do formato dela, pois lá pelos 4min entra numa parte instrumental que dura até o final, coisa que eu e meus companheiros da banda Meio Mundo gostamos muito de fazer.

sábado, 6 de março de 2010

Férias

No primeiro dia dormi das 8h da noite às 7h da manhã. Não fora por esperança de recuperar noites em claro, apenas um enorme esgotamento mental.

Praia em março é praia deserta, eu sei. Bucólico, eu gosto, mas meio deprê.
Gaivotas. Silêncio quebrado pelo quebrar de pequenas ondas. Mar calmo.

Algo eu entendi. O mar me trás um imenso vazio, solidão.
E a solidão me inspira.

Talvez por isso, esperava alguma revelação nesses dias. Não aconteceu nada disso. Descansei, fiquei com a família, amei meu filho. Tomei banho de mar, andei nas pedras, tirei férias.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Três discos legais que ouvi nos últimos tempos – Parte 2 (Them Crooked Vultures)

Citei Them Crooked Vultures e Wolfmother juntos, pois os ouvi assim, próximos. Aliás, ainda os escuto. Discos que precisam de tempo para ser deglutidos são os melhores. Se isso for verdade, demorei mais a entender e gostar do Them Crooked Vultures. Sobre esse eu tinha dois conceitos prévios, a saber: considero Josh Homme um dos gênios musicais atuantes, consolidado com o Queens of the Stone Age. Por outro lado, as superbandas que lembro, Audioslave e Velvet Revolver, apesar de alguns bons momentos, não consigo considerá-las totalmente bem sucedidas artisticamente falando. Mas seria o caso de chamar o Them Crooked Vultures de superbanda? Certamente, pois além do já cita, temos John Paul Jones, Led Zeppelin e Dave Grohl, que é... um cara legal. Ah, tocou no Nirvana também.

O disco abre com uma pedrada, No One Loves Me & Neither Do I. Pedrada que encontra-se na segunda parte da música. No geral as músicas tem a pegada do QOTSA, como Elephants, Bandoliers e Reptiles. Isso significa uma mistura irresistível de peso, melodias suaves e passagens hipnóticas. Claro, há momentos que em a influência do Led Zep surge, como em Gunman.

Mas fiquei procurando “aquela” música. Em todos os discos do QOTSA há aquele som perturbador, denso e pesado. No Song for the Deaf há duas, a primeira homônima ao álbum e a outra é A Song for the Dead (essa com Mark Lanegan no vocal). O trocadilho é óbvio, mas as músicas compensam. No Lullabies To Paralyze temos The Blood is Love e no Era Vulgaris é Run, Pig, Run. O Then Crooked nos apresenta Spinning in Daffodils.

Enfim, diversão garantida.

No próximo post falo do Wolfmother, Cosmic Egg.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Três discos legais que ouvi nos últimos tempos – Parte 1

O primeiro ainda é de 2008 (é, meio atrasado) mas ganhou um Grammy em 2010 de melhor canção de rock com a música Use Somebody. Estou falando do Kings of Leon e o sensacional Only by the Night. O disco abre com a hipnótica Closer, com o vocal rasgado de Caleb Followill. Segue com Crawl e por aí vai. Dá para destacar já na primeira audição Sex on Fire (quase não resisto à tentação de dançar) e a música final Cold Desert, que entrou direto na minha categoria de músicas-que-eu-queria-ter-feito.

Todo mundo deve ter ouvido, mas quem não o fez, faça-o, é um pedido. Quem ouviu e não curtiu tente novamente. Vale.

Os outros dois discos são mais recentes, Them Crooked Vultures e Wolfmother, ambos de 2009. Falo deles depois.

sábado, 23 de janeiro de 2010

In the wild...

Na Natureza Selvagem (Into the Wild), filme de Sean Pean, me seduziu primeiro pela trilha sonora e pela fotografia. A belíssima Hard Sun, cantada por Eddie Vedder, entrecortada por belas paisagens. Marquei na agenda o dia que ia passar no Telecine, tempos atrás. Vi e me emocionei inúmeras vezes com a história real do jovem Chris McCandless que abandona a vida classe média alta americana, recém formado na faculdade em troca de uma aventura que mistura desapego e ódio aos pais, sensibilidade com egoísmo, carisma e solidão, coragem e ingenuidade. Agora o revi em alta definição e resolvi especular sobre o assunto.

Não pretendo resenhar o filme, somente pensar algo sobre como tais histórias nos cativam. Lembro dos meus planos de adolescência algo semelhante aos de Alex (sim, ele muda de nome para Alex Supertramp). Quando li On the Road recordei pela primeira vez disso. Uma revolução libertária que no meu caso durou o tempo suficiente para não ser cometida e hoje, 20 e poucos anos depois é só um resíduo de memória. O Alex do filme não desistiu, o que o torna um herói quase romântico, fato reforçado pelo seu fracasso final.

Agora assisto ao filme e além de tudo vivo um conflito entre me identificar com o jovem rebelde ou com o pai que perde o filho. Acho que hoje já não tenho talento para o primeiro papel e do segundo espero distância.

Abaixo a música, com trechos do filmes.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Vampiros

Todo mundo deve ter reparado que os vampiros estão na moda. Até simpatizo com a idéia, pois um ser que para viver precisa sugar o sangue das pessoas, dorme o dia todo, fica acordado a noite toda, não gosta de alho nem de água benta, afinal, parece um cara legal. Claro, desde que o pescoço sugado não seja o meu.

Porém, esses dias, ao adentrar numa banca de revistas (tenho fetiche por bancas de revistas, não consigo evitar a compulsão de conhecê-las) vi umas 10 revistas com esse vampiro da série de filmes (livros) Crepúsculo, Lua Nova (entardecer, lua cheia, amanhecer, algo assim). Fiquei meio ressabiado.

Percebi que praticamente todos os canais apresentam alguma série com tais personagens. A mesma fórmula que mistura galãs juvenis com romances açucarados.

Lembro dos filmes de vampiro mais antigos. Normalmente eram velhos caquéticos, corcundas, sequelados. Agora são semi-adolescentes sarados, românticos, bonzinhos e chatos.

Saudades do Nosferatu.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Pode haver mensagem melhor?

Zanzando pro uns sites encontrei um post para esse vídeo feito para o Starbucks Love Project. O Ronald Augusto, amigo do peito, e mantenedor do blog-amigo, poesia-pau, havia postado Stand By Me. Vou imitá-lo e postar esse.

Bom, é Beatles, a música é linda, então tudo que eu escrever é perda de tempo.

Sou um sentimental mesmo. Quase dá para ter esperança no mundo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Estórias do Ibraim

Já era uma rotina. Ele trabalhava até 8 ou 9 horas da noite e ia ao shopping. Comia sempre a mesma massa - não era íntimo dos atendentes porque sempre fora rude, mas já lhe conheciam. Provavelmente faziam troça dele por repetir sempre o cardápio, mas era falso aquele pragmatismo, era transitório, logo deixaria de frequentar aquele lugar e descobriria uma nova rotina.

Após a refeição recorria aos doces. Naquele momento sua predileção recaia sobre os sorvetes (ah magníficos sorvetes como disse conhecido Professor). Avelã particularmente.

De posse do pote cheio e gelado, sua rotina consistia em zanzar pelos corredores atrás de coisas interessantes e, confessemos, vê-se muitas delas, nem todas à venda, e dentre aquelas à venda, poucas por um preço que pareça adequado e justo.

Não sei se adequação e justiça cabem ao mesmo sujeito, ainda mais sendo ele preço ou valor ou sei-lá-o-nome-disso, mas arrisco.

Celulares, computadores e guitarras eram seus preferidos, enfim, meios de comunicação diversos. Formas ou meios? São diferentes, excludentes ou sinônimos?

Mas ficava só na massa e sorvete. Vez por outra uma roupa, mas no geral resistia bem à tentação capitalista. Ou pelo menos tentava crer nisso.

Avatar

Fui ver o filme Avatar, do James Cameron. Por esse nome, subentenda-se super-produção. E esse filme não desmente a afirmação.

Assisti em 3D, coisa que me parece o melhor a fazer. Nunca havia visto nenhum filme em 3D, então a primeira dificuldade foi sobrepor aquele óculos aos meus. Apesar do esforço inicial, passei as 3 horas seguintes tentando achar uma melhor posição, infrutiferamente. Apesar desse desconforto, foram horas de estupefação, que encobrem totalmente a série interminável de clichês que compõem o roteiro do filme. A sensação de “imersão” nas cenas é total e a pesada computação gráfica não tem nenhum resquício de artificialidade. Tudo é muito natural, o que me fez até pensar onde diabos haviam conseguido aqueles atores azuis, anoréxicos, de quase 3 metros de altura.

Apesar disso, o efeito 3D me deixou meio enjoado/tonto. Mas fui para casa feliz, pois vi algo surpreendente, o que não é pouca coisa, às vésperas de 2010.